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segunda-feira, maio 02, 2011

Mais uma Segunda Vermelha

Otro Lunes Rojo

Segunda Vermelha



Hoy Lunes Rojo, celebre su feminidad, circule, festeje, sienta honor en ser mujer, sienta placer en desconceptuar las pesadas nociones que el machismo y el patriarcado cimentaran sobre el simple acto de menstruar... Desmistifique!
 Luciana Onofre



Fazendo eco, apoiando esta iniciativa, e essencialmente por ter vindo este tema à minha vida via fala/escrita de uma amiga a quem prezo e admiro, a Danielle Sales. Ela ativista menstrual, feminista, mulher dedicada à nossa Espiritualidade Feminina e Feminista.

Minha fala este ano se remete à experiência que vivencio em companhia da minha filha Alicia, de 10 anos.

Ela em  processo de crescimento, dum desabrochar em mente e corpo... E perante tudo isso o susto, o medo, a tristeza que nela vejo, em deixar um ciclo [o de criança] e adentrar ao Maravilhoso Mundo Novo do "Vir-a-ser-mulher".

Ainda não menstruou, entretanto conversas claras sobre o que vem a ser esta manifestação do seu corpo já foram tecidas. E mesmo assim o meio, o entorno constituído pelo ambiente escolar, tornam difícil manter nela e com ela as noções naturais e leves que eu lhe repasso... Afinal são quantos séculos de subjugo patriarcal, castrador e despersonalizante?

Devo confessar que muitas vezes me sinto nadando contra a correnteza ou surfando lá no alto da maior onda fatal em queda livre... Sou uma contra o sistema.

Mas não esmoreço, pois quero para ela um entender melhor, uma compreensão ampla, lúcida, sadia do que é menstruar, do que é mutar o corpo, do belo que mora nela, do Sagrado que é seu corpo, nossos corpos.

Nesse processo todo, de delicadas falas, se insere mesmo que sem ter sido objetivado meu filho de 7 anos. Que sinto irá ser um belo representante do pequenino grupo de homens Matrízticos que podemos e devemos parir!

Em pesquisas dentro da língua portuguesa me deparei com um livro titulado "Manual de sobrevivência da garota descolada", ao virar o livro notei o selo editorial: MC Mundo Cristão... Por que o cito? Por ter sido o único livro/volume a venda numa livraria interessada em zelar pela qualidade do material que coloca à venda, uma livraria na qual você entra certa de que ali irá encontrar o que não há na cidade toda...

Isso me deixou taciturna... 

Folheei o livro, e encontrei sim um capítulo dedicado ao tema "menstruação", e pensei vou comprar, pois ali em segundos não poderia eu ter noção alguma do contexto, ou modo em que apresentava a autora o tema.

O capítulo 3, da página 40 até a 60 discorre de forma ampla mas extremamente "técnica" sobre o que é o aparelho reprodutor, a menstruação, a TPM, como evitá-la.

E na página 53 de forma bem direta a autora diz como Deus ajudará a moça a encarar essa fase: Leia o Levítico 15, ali você verá como era encarada a mulher impura nesses dias, mas, MAS, depois leia o Livro dos Cânticos, "para não considerá-la uma maldição, você terá que que desenvolver uma atitude positiva".

Positiva? Como se a primeira leitura indicada aterroriza qualquer menina ao internalizar que ela é impura, intocável se menstruada, por que o Deus cristão assim considerou ser adequado?  E a leitura considerada como "animadora" é indicada no livro assim: "leia Cânticos (...) sem dúvida você pode pensar nesses versículos quando estiver se sentindo um pouquinho amaldiçoada". ????

Quem é amaldiçoado aqui? Nós, as fêmeas feministas, as fêmeas lúcidas, que desejam que todas as demais fêmeas encarem cada partícula do seu corpo como normalíssimo, belo, desejável e sadio! 

Alícia numa dessas noites nas quais trabalho fora [sou professora de língua espanhola] pegou o tal livro, que eu deixara na minha mesa de trabalho [me senti eu sim amaldiçoada], e quando cheguei a vi com os olhos assustados, escondendo o livro atrás dela, assustada por ter pego o livro ou por ter lido o livro? Por ter lido...

E agora cá estou eu, novamente no ápice daquela imensa onda, me equilibrando na prancha de surfe, olhando o abismo, e dizendo, bradando, posso cair mas me levanto!
Me levanto e faço tudo de novo, novamente teço a fala, novamente enfrento a fala.

O mantra: Desmistifique a menstruação!


Sempre grata,

Luciana Onofre




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Luciana Onofre

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“La Diosa que hay en mi, contempla a la Diosa que hay en ti”