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domingo, abril 18, 2010

Entendendo o Feminino em nós e para nós


Respondendo a um exercício proposto no livro de Teresa Moorey, A Deusa, me senti tomada por una energia complexa de explicar..
Fui tomada por aquela certeza absoluta de estar no lugar certo, fazendo o meu correto, sendo completa e sincera para comigo e com os meus ( e nos meus eu abarco muito mais do que minha família de sangue)...
Então compartilho (amo o uso desse termo sim), meu exercício com quem me visita e lê aqui.
  • O que poderia significar a reinstalação do Feminino?
Para mim essa reinstalação, foi de fato assumir 24 horas ao dia meu modo de ver o mundo: jamais entendi o Sagrado como masculino. Nem quando pequena e aluna de freiras franciscanas...
Então meu cotidiano, meu dia-a-dia é essa reinstalação. Acontecendo de forma continua e natural, sem TER que me obrigar a reinterpretar o meu modus operandi por simplesmente sempre ter sido assim, Matricial.

Após ter construído meu lar, com meu parceiro isso também se deu da mesma forma, pois tanto eu como ele vivemos isso, encaramos a relação em torno à Parceria, como Rhiane Eisler tão bem propõe em seu livro o Cálice e a Espada.

E sim, temos uma forte tendência em ser Matriciais, sem jamais encarar-mos por isso ou com isso conflito algum entre meu feminino e o  masculino do meu consorte.

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  • O que é, na verdade, o Feminino? 
Meu mundo e a forma como eu o vejo é então Feminino, minhas falas com o meu Sagrado, meu entendimento quanto ao valor que eu como fêmea possuo, minha compreensão quanto a gerir meu cotidiano são o Feminino.
Então o Feminino é ao meu ver apreender o mundo sob uma ótica de compromisso, de parceria, de complementação entre homens e mulheres, e jamais de sobreposição de valores, de identidades, de pessoas, pois cada um guarda em si algo único. E pela metade é exatamente isso: pela metade.

O Feminino penso eu é a pauta para um mundo de equilibração, sem extremismos desde que esse Feminino não se vista do caráter exacerbado do patriarcalismo. Se assim ocorre apenas suplantamos um sistema opressivo por outro.  
Então é básico rever os nossos conceitos e entendimentos quanto ao quê somos como mulheres, afim de garimpar nesse ser, elementos que sem percepção consciente se misturam ao nosso fazer político e historicidade e terminam por exteriorizar-se em forma de atos, pensamentos machistas, mesmo que em tese sejamos feministas... Mas por estar-mos inseridas em nichos patriarcais , terminamos por repassar ainda que seja contra nossas teses...
  •  De que maneiras os assuntos relacionados com o Feminino foram negligenciados, desprezados, perseguidos?
De que maneira? De todas as formas. Em todos os âmbitos: biológicos, espirituais, mentais, sociais, culturais... 
Onde há o ser humano como ser social, o Feminino sofreu negligência.
Colocar ao Feminino, à fêmea como segundo plano, é pauta desde que o ser humano é entendido como ser social.
Por isso eu creio, hoje como mãe (construtora de uma geração Matricial) que o caminho não é execrar ao masculino, mas permitir que o mundo de dois, de parceiros seja entendido assim: como coletivo em parceria.

Como os problemas poderiam ser mais bem resolvidos pelo culto à Deusa?

A Fêmea entende ao mundo sem a apreensão violenta do masculino? Creio que sim... Mesmo que compreendamos ao mundo com a mesma gana e força que o homem, nossa percepção desse mundo, dos mundos, é mais acurada por não haver essa pressa louca em ser mais...
Esse nutrir, doar-se à cria torna a nós fêmeas mais amplas no saber de si e dos demais, nos permite ter maior paciência e resistência para aceitar e mutar.

Então um culto feminino, ao Feminino é ao  meu ver mais elástico, mais amplo, mais tolerante para com o Todo.
Encerra em si, tendo ao Feminino como Sagrado, uma riqueza maior. E assim oferece algo maior, mais abrangente, mais completo.

Ao ver-mos grupos de mulheres pelo mundo afora reunidos em cultos ao Feminino sempre vemos a unicidade, a parceria, a reciprocidade, por que eu creio que ao chegar-mos a esse patamar, o de compartilhar a espiritualidade com outras mulheres, nós as mulheres que assim o fazemos, já superamos internamente nossas crises machistas, já deletamos os traços patriarcais que carregávamos do berço...

Sem demagogias, pois é sabido que o ser humano é competitivo, é dado à competitividade, mas penso eu que ao decidir fazer parte de qualquer grupo, seja  virtual, ou não, a mulher deixou ir a carga machista que poderia lhe impedir de entender a outras mulheres como seus pares, sem vê-las como seres opositores, como pessoas que competem contra si e entre si.
  • Qual é a sua própria imagem favorita de uma Deusa?
Eu vejo as Deusas humanizadas... Há quem As entende com formas distintas, mas para mim Elas são como nós. Eu sinto as Deidades permeadas de força e energia Femininas. As sinto dentro de mim, fazendo parte do meu ser, e As vejo nos demais. As vejo no mundo que me acolhe, nas formas da Terra, e nas humanas.
  •  Como poderia uma cultura mais matrifocal ajudar em questões importantes da sua vida?
Já me ajuda, me entendo um ser humano melhor desde que vi o Sagrado como Feminino.
Sai dos poços de dúvidas espirituais rumo à minhas certezas quando pude dar-lhe nomes do Feminino. 


Obrigada,

Luciana Onofre

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Luciana Onofre

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“La Diosa que hay en mi, contempla a la Diosa que hay en ti”