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quinta-feira, agosto 05, 2010

Será?



Leio muito uma palavra ligada ao Feminino, à Mulher: cura, curar, curada...
Sempre no sentido de que algo falta/faltava à Mulher quanto ao seu status de Mulher independente, sacra, livre, respeitada dentro do seu nicho sócio-econômico religioso, político...


Mas será mesmo que estamos apenas nós doentes, mal do espírito ao ponto de apoderar-nos desses adjetivos quando falamos da nossa integridade espiritual, mental e física? 


Eu entendo que hoje somos seres humanos capazes de mutações sociais, culturais inimagináveis outrora. E que essa mutação acontece com a aquiescência de todos, homens e fêmeas, não apenas do gênero feminino.


Não me vejo a mim como um ser que por ser mulher deve ser curado...curada... Vejo ao ser humano sim com a necessidade de cura, tanto o homem como a mulher.


O homem não precisa dessa cura? Acho sinceramente que muito mais do que nós, as mulheres.


Foi a sociedade como um todo a que impôs o mal-estar, a moléstia que deve ser curada. E ao homem, ao ser humano do gênero masculino coube um peso, um grilhão maior e mais complexo de ser diluído...


Criar uma criança menino é saber no processo desta criação o tamanho desse peso, e é também uma chance unica de saber como pesa nos ombros deles, ao criá-lo... Passa um pouco, senão muito do peso aos ombros meus, de mulher-mãe...


Criar, moldar, facilitar uma criação de cura da alma, do gênero, do status mental imposto pelo sistema é apreender de modo ímpar a forma dura como o homem, a criança menino encara, se depara, vivencia dia-a-dia com as noções, pré-noções cristalizadas no ideário humano quanto ao papel do homem, do gênero masculino no mundo.


Preparar um ser humano do gênero masculino para ir contra esse mundo permeado de julgamentos, de valores já cimentados, não meus, não nossos, é duro.


Temos que ir contra a correnteza, nadar em meio a marés altas, e mostrar que o mundo pode e deve acolhê-lo tal como ele é, mesmo que nossa educação não o construa dentro dos dogmas predominantes, dentro do estereótipo machista que é aceito como "normal" e "esperado" pelo coletivo...


A cura não é apenas do feminino, é também do masculino.


Se como mulheres sadias, plenas, donas de si, do meio que nos cerca, donas e Senhoras do nosso fazer espiritual, e social, não passamos a encarar ao masculino como também frágil, passível por demais de cuidados, dessa cura, o gênero humano jamais passará ao próximo nível do jogo, no tabuleiro da vida proposto pelo mundo. 






Grata sempre,




Luciana Onofre
mãe-mulher de uma criança menino



2 comentários:

  1. Eu concordo plenamente.
    Hoje a mulher já possui um espaço maior, conquistado. Preconceito existe, mas acho que hoje há maior consciência em relação ao papel e capacidade da mulher do que há décadas atrás.

    E não é de hoje que percebo que, diante da atenção dada à mulher, em relação a saúde, mercado de trabalho, etc, os olhos começam a se voltar também para os homens.

    Sei lá... mas é algo que as pessoas esquecem.... que as MULHERES esquecem. Compra-se uma guerra revolucionária que está mais pra femismo (às vezes, claro) do que para próprio feminismo.

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  2. Concordo com o que diz. Mas no meu modo de ver, qdo há referência da cura do feminino, não estamos falando da mulher. Estamos falando da energia que é inerente aos dois sexos. Energia esta, que está voltando de um estado de completo abandono e escárnio, imposto pelo Masculino e nesse contexto, está inserido inúmeras mulheres também, que apoiaram, apoiam e muitas outras que "dormem" e nem sequer se lembram da existência dessas energia em si, são totalmente manipuladas pela energia masculina (não só na figura do homem) e por consequência, criam seus filhos, baseadas nessa energia. Todas as instituições "religiosas" são servas do Masculino. Todas as pagãs, eram e algumas ainda conseguem ser, servas do feminino (muitas se dizem, mas perderam essa essência). Então a cura no meu entender é o resgate dessa força, renegada à sombra, em nós mulheres e também nos homens... com o cuidado de não negar-mos o masculino, senão estaremos comentendo o mesmo erro. Yin Yang, se fala tanto, mas se pratica pouco.... bjos, adoro seus blogs ...

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Luciana Onofre

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